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  • ACAM e O Recife Assombrado iniciam intercâmbio

    | Cliques: 137 ACAM e O Recife Assombrado iniciam intercâmbio

    Reportagem de Stefano Azevedo.

     

    A ACAM-MG (Associação de Caçadores de Assombrações e Monstros de Mariana – Minas Gerais) é nosso grupo de curiosos, que começou a se juntar com o propósito de ouvir e recolher estórias. Causos espantosos, como os principais fenômenos estranhos descobertos na Região dos Inconfidentes: o monstro Caboclo D’água, um anfíbio que vive na água e ataca pessoas, e nunca foi fotografado ou capturado, e a aparição da Mãe do Ouro, que se manifesta como uma bola de raios voadora que aparece muito no pico do Itacolomi, próximo a locais onde tinha ou tem ouro.

     Essa pesquisa leva para Recife, cidade que pode ser considerada líder em assombrações conhecidas pela população, onde até mesmo os bairros e localidades têm suas assombrações próprias. Como a Velhinha da Caxangá, que aparece na Avenida Caxangá e sobe no ônibus, depois desaparece. O bairro Afogados, que infelizmente tem esse nome pois na época que o rio Capibaribe era limpo, muitos se banhavam nele. Porém alguns eram apanhados pela força das águas e vinham a desfalecer, levados pela correnteza e seus corpos eram encontrados boiando muitos dias depois, de modo que o rio é considerado um local assombrado também. Um passeio pela cidade revela que tem mesmo um clima sinistro, meio gótico, e fortemente conectado às raízes históricas do Brasil.

     Há relatos de moradores sobre a praça Chora Menino, onde se escutam choro de crianças à noite. Assim como a praça no Poço da Panela, onde dizem que uma estátua se movimenta. Em Recife também tem um cemitério dos ingleses pelos mesmos motivos que existe um em Mariana – por serem da religião anglicana, os ingleses eram enterrados num lugar diferente do que os defuntos da religião católica.

     Estas são lendas urbanas contadas pelo grupo O Recife Assombrado (conheça o blog www.orecifeassombrado.com e curtir a página facebook.com/orecifeassombrado) e a partir de agora, a ACAM está entrando em contato para aumentar nossa rede de pesquisas sobrenaturais pelo Brasil. O jornalista Beto Beltrão, fundador do Recife Assombrado, nos conta que no nordeste, os contos de assombração são chamados popularmente “histórias de trancoso”, e eram contados com frequência nos anos 70 e 80, época que a eletricidade sempre faltava.

     Beltrão se afirma como fã da literatura fantástica, por exemplo o escritor H. P. Lovecraft. “Este autor capta muito bem o tom insólito, do inefável, do terror que lida com o desconhecido e o medo do que não pode ser compreendido. Eu procuro me inspirar nesse estilo quando vou escrever minha própria literatura”, diz ele. Jornalista e escritor, ele aproveita sua intensa pesquisa de lendas urbanas no Recife como base para criar suas próprias ficções inventadas, no gênero suspense e terror. “Tenho como referência para minhas pesquisas os títulos: ‘Sacy: resultado de um inquérito’ de Monteiro Lobato; o livro de reportagem policial “Recife Sangrento” de Oscar Melo; toda obra do folclorista Câmara Cascudo; o escritor Jayme Griz, um folclorista pouco conhecido da cidade de Palmares no Alagoas; o autor regionalista José Lins do Rego; entre outras obras.”.

     Convidado para o Encontro dos Caçadores de Assombração de Mariana 2018, Beltrão disse estar ansioso para conhecer o prof. Leandro Henrique dos Santos, o primeiro repórter da ACAM, para ouvir as nossas antigas histórias de assombrações e lendas, e participar da roda de contação de causo dos mineiros.

     PESQUISAS PSICOBIOFÍSICAS.

     Descobrimos em Recife também um grupo de caça-fantasmas que se propõe a pesquisar o fenômeno até as vias de fato, visitando em equipe a um local tido como “mal-assombrado” e tentar decifrar o fenômeno por um método científico, portando instrumentos eletrônicos para detectar vários tipos de sinais. O nome deste grupo é N.I.P., Núcleo de Investigação Psicobiofísica, formado por alguns integrantes do I.P.P.P., Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas.

     Jozymo Cavalcanti Eloi é criador do núcleo e diz: “admiro o trabalho do Padre Quevedo, e recomendo a leitura dos seus livros ‘O que é Parapsicologia’ e ‘Antes Que os Demônios Voltem’.” Eloi diz que leva consigo água-benta e faz orações para proteger a si mesmo e ao grupo durante as expedições. Eles começaram estas experiências há aproximadamente dois anos, e já visitaram 3 locais assombrados de Recife e passaram a noite inteira lá. Num deles, o Forte das Cinco Pontas, dizem ter encontrado, pelo método científico, evidências de atividades paranormais inexplicáveis.

     O biólogo Wendel Pontes, integrante da equipe e atual presidente do I.P.P.P., é professor de Zoologia da UFPE – Universidade Federal de Pernambucano. Ele nos explica que para analisar os ambientes supostamente assombrados, utilizam como equipamento um detector de campo eletromagnético, um sensor de movimento, um medidor de temperatura Laser (conhecido como termômetro externo), e seis câmeras de visão noturna. “Recomendo, para quem quiser começar compreender esse estudo, o endereço www.parapsych.org, site da Associação Internacional de Parapsicologia (em inglês), onde tem muito material de qualidade e confiável” indica o prof. Wendel.

     A pesquisa em parapsicologia no Brasil tem muitas décadas, os autores Valter da Rosa Borges (fundador do I.P.P.P.) que atualmente é um senhor de longa idade, e seu amigo já falecido Hernani Guimarães Andrade (*1913 +2003, foi fundador do I.B.P.P. - Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas) escreveram vários livros sobre fenômenos do tipo Poltergeist e aparição de assombrações. Utilizavam de instrumentos eletrônicos da sua época para tentar comprovar suas teses e foram pioneiros da pesquisa de assuntos paranormais no Brasil.

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