ACAM MG
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  • BARÃO DE PASSAGEM

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    Barão de Camargos, Visconde de Ouro Preto e agora descobrimos o Barão de Passagem

       Em 23 de fevereiro de 1858, foi início da batalha para tomada de Humaitá, maior fortaleza paraguaia. Delfim de Carvalho, junto com mineiros iniciaram o bombardeio, com canhões instalados nos navios, assim isolando a fortaleza das ajudas vindas do Rio Paraguai.
    Durante a Guerra do Paraguai o controle da navegação dos rios foi muito importante e várias batalhas navais foram travadas. Destacou-se o segundo maior navio do Brasil, o Jequitinhonha, homenageando Minas Gerais, apesar de não ter mar tinha marinheiros.
    Sob o comando de Delfin de Carvalo afundaram durante a batalha de Humaitá dois navios paraguaios; Igurey e Tacuary, isolando assim a fortaleza. Como reconhecimento, no mês seguinte ele recebeu a honraria de Dom Pedro II se tornando Barão de Passagem. A Monarquia já havia criado os títulos de Barão de Camargos, e Visconde de Ouro Preto.
    Ao conceder essa honraria que passa a ser hereditária Dom Pedro II agradaria os ingleses, que tinham sua colônia em Passagem.
    Passagem era na época um dos maiores produtores de ouro do mundo, dirigido pelos ingleses, e tinha uma colônia britânica, além de receber trabalhadores de todo mundo; russos, irlandeses, italianos, franceses, alemães, turcos, espanhóis e portugueses. Ainda hoje existem: Vila Portuguesa, Vila Espanhola, Vila Alemã ( mudou nome para Vila São Vicente em 2008 ). Passagem foi a primeira localidade de Minas a ter luz elétrica, que era de graça para os moradores até 1985, teve o primeiro hospital com Raio X, o primeiro Cinema de Minas, trazido pelos ingleses, primeiro campo de tênis, e primeiro campo de futebol de Minas, esporte pouco popular em 1890, quando tem-se registro de quatro times, dois ingleses, um italiano e um brasileiro. Teve uma das primeiras Lojas Maçônicas de Minas Gerais, na rua Coronel João Paulo. Em Passagem foi fundado o primeiro Sindicato, por influência dos italianos, chamado Associação Mútuo Socorro na rua Dom Veloso, onde é a sede do Clube Sorriso da Infância, hoje ocupada pela companhia de teatro do Dragão e os Dragoninos.
    Muitos dos alemães e franceses que vieram para Passagem tinham lutado do lado de Napoleão contra os ingleses, que espertamente os aproveitaram oferecendo trabalho em suas colônias na Austrália, Àfrica do Sul, India, Canada. Os ingleses pagavam as passagens e arrumavam moradia. Inventaram para mobilizar essas milhares de pessoas o primeiro cheque, um papel com assinatura para anotar as despesas da viagem, que eram pagas aos fornecedores uma vez por ano.
    Com os ingleses e alemães os passagenses aprenderam a fazer cerveja, muito apreciada por eles naquela época. Brasileiros tomavam cachaça apenas. A fábrica de cerveja, a primeira de Minas, instalada em Passagem deu origem a rua Fábrica Velha.