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  • Ciclistas descobrem ruínas na Serrinha : Patrimônio histórico de Passagem

    | Cliques: 664 Ciclistas descobrem ruínas na Serrinha : Patrimônio histórico de Passagem

    Pedalando pela região o casal Genimárcio e Amanda, da IDAS BIKE, passaram pela Serrinha e resolveram descer uma trilha, e para surpresa deles se depararam com uma bela ruína, de dois andares, de pedra seca, ainda bem conservada.

    Encantados e curiosos com a descoberta entraram em contato com o jornal O ESPETO para relatar o fato.

    “Gostamos de estar em interação com a natureza e saber da história dos locais onde passamos. È uma forma de estarmos em harmonia; conhecendo  o passado e pensando no futuro.” Disse Genimárcio.

    História: em 2010 fizemos uma reportagem sobre esse local e fomos até lá guiados por Hugo Gallo, primeira pessoa que trouxe ao jornal O ESPETO a notícia dessa ruína.

    Pelo local e a forma de construção acreditamos que tenha sido erguida no inicio de colonização de Mariana, pois segue os mesmos traços arquitetônicos das ruínas do Parque do Gogo. O local pode ser uma espécie de pousada, ou local de fiscalização, mas é muito isolado, possivelmente uma fazenda ou local que servia de base para exploração de ouro dos córregos da região.

    Na região de Mariana  existiam muitos quilombos, local onde escravos fugidos moravam, plantavam e até mineravam. Muitas vezes as autoridades faziam vista grossa pois compravam dos moradores do quilombo produtos a preço vantajoso para revender no comércio.

    Fazendeiros da Vargem denunciavam a Câmara de Mariana de Mariana ação dos quilombolas, assim chamados os moradores de quilombos, na região. Hoje temos locais que originaram de quilombos, como na Vargem em Mariana, Lavras Novas em Ouro Preto, e Acaiaca. Apenas o de  Acaiaca teve reconhecimento oficial na região tendo “status” de população quilombola. Muitos eram perseguidos e destruídos pelos capitães do mato, caçadores de recompensa ou por índios, que vendiam os quilombolas. Haviam muitos anúncios de fuga de escravos oferecendo recompensa a quem os captura-se, portanto haviam pessoas que se dedicavam a esse fim. Havia denúncia também de raptos de escravos contra a própria vontade para ir morar nos quilombos, principalmente mulheres.

    Espertamente os portugueses criaram leis permitindo que o sonho da alforria, assim chamada a libertação do escravo, desse opções evitando a fuga para os quilombos.  Muitos trabalhavam para comprar sua liberdade em suas folgas aos domingos. Exemplo disso é Chico Rei de Ouro Preto, que não só comprou sua liberdade mas de todos de sua nação, adquirindo até uma Mina de ouro. Claro que muito disso não está na história oficial.

    Na história real muitas vezes a realidade era bem diferente do que está nos livros da escola.

    Mas as ruínas estão ai para comprovar.

    “Meu avô contava que o pai dele deixava sempre um burro carregado com mantimentos como o último da tropa. Sabia que eles iam pega-lo. As vezes ele conseguia ver alguns deles nos altos dos morros, e não se aproximavam, tinham muito medo. Quando voltava achava o burro na estrada da Vargem, sem os mantimentos.” Disse Sô Zizinho morador da Vargem, cujo bisavô trazia tropas com produtos da roça para vender em Mariana e tinha que atravessar o Vale do Sibrão, que fica entre a Serrinha e a Vargem, área de mata fechada até hoje, parte integrante do Parque do Itacolomi.

    A Serra do Carmo na Vargem é região de antigo quilombo, e os moradores que lá vivem nem tem documento de suas terras antes da lei que permitiu legalizar as posses. A Serra do Carmo  se divide em Serra dos Brancos de um lado e Serra dos Pretos do outro lado.

    Que as ruínas que o casal de ciclistas Genimárcio e Amanda agora revelam sirvam para que Mariana tenha pelo menos um local que represente essa história, sendo tombado como patrimônio histórico.

    Como chegar até lá: Vá até o trevo de Passagem  e siga até a rua do Hospital, siga até o campo do União Esporte Clube, continue seguindo a estrada larga de terra sentido Serrinha, quando chegar lá no alto na entrada da Serrinha não saia da estrada principal, e virá um belo vale abrir a sua frente, é o Sibrão, mais uns 300 metros verá uma placa, escrito ruínas, e uma trilha. Logo abaixo está a ruína da casa.

    Advertência: por ser local isolado nunca vá sozinho. Ideal montar um grupo com mais pessoas. Sempre que sair de casa avise seus familiares onde vai, a hora prevista para volta. Leve água e lanche.

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