ACAM MG
ACAM MG
  • ESPECIAL ACAM: ENTREVISTA COM O RECIFE ASSOMBRADO.

    | Cliques: 274 ESPECIAL ACAM: ENTREVISTA COM O RECIFE ASSOMBRADO.

    Nossa missão na ACAM é investigar fenômenos paranormais e manifestações do além, atuando a partir da região dos Inconfidentes em Minas Gerais, com sede em Mariana. Estamos querendo nos aproximar de outros grupos semelhantes ao nosso e aumentar nosso contato com outras partes do Brasil. Por isso o repórter Stefano Azevedo, membro da equipe ACAM e voluntário da pesquisa sobre transformação em lobisomem, entrou em contato com os editores do site Recife Assombrado. Este blog que pode ser visitado no endereço http://www.orecifeassombrado.com/ onde encontramos uma grande coleção de histórias de horror, relatos e inclusive histórias-em-quadrinhos muito interessantes com os casos misteriosos que são contados na capital de Pernambucano. Os amigos Beto Beltrão e André Balaio são estudiosos de lendas, editores do site, e nos contam como realizam esse trabalho. Leia a seguir esta conversa arrepiante.

    ACAM. Como tudo começou?

    Beto.

    Esse interesse veio da minha infância. Nasci e fui criado no Recife, mas sempre tive avós e parentes no interior, em cidades da Zona da Mata pernambucana. Lá era um costume as pessoas contarem histórias de assombração à noite. Isso me encantava. Eu tinha muito interesse por literatura imaginativa, fantástica e li todos clássicos do horror: Edgar Alan Poe, Bram Stoker, Mary Shelley. Sou um grande admirador de Jorge Luís Borges, um escritor argentino que trabalha com literatura fantástica. E eu nasci na década de 70, um tempo meio obscuro. Onde tinha muitas coisas estranhas que se contavam entre as pessoas do bairro da Zona Norte que eu morava. Um tempo muito fértil de lendas urbanas. Justamente porque era o tempo da ditadura, os jornais repercutiam muitas histórias estranhas, porque eles estavam proibidos de falar da realidade. Em Recife teve a história famosa da Perna Cabeluda, uma perna sozinha que pulava e atacava as pessoas. Então eu cresci nesse ambiente de imaginação, de convivência com fantástico.

    Na década de 80 eu tive contato com a obra de Gilberto Freyre, o autor pernambucano, sociólogo, escritor. Um amigo nosso emprestou o livro que na época estava fora de catálogo, “Assombrações do Recife Velho”. E eu li, despertou interesse em pesquisar, entender mais, contar novamente essas histórias, contar histórias que Gilberto Freyre não contou. O livro foi publicado em 1955. Então comecei a pesquisar muito, trouxe muito da minha formação como jornalista, conversava com as pessoas e ia recolhendo casos. Depois com meus amigos, resolvemos fazer o Recife Assombrado, que começou como um fanzine (que não deu certo porque a gente era muito ruim nessa parte gráfica). Então a gente fez um site, era nos primórdios da internet, no ano de 2000.

    Acho que às vezes essas histórias se perdem. No tempo que a gente começou a trabalhar com isso, essas histórias estavam sendo esquecidas. A gente começou a querer trazê-las de volta pro imaginário. Então meu trabalho é divulgar, acho que essa é a minha missão.

     André.

    Sempre gostei de histórias ligadas ao sobrenatural, ao terror. Ouvia muito rádio e lia muitos quadrinhos de terror. No fim dos anos 80, um amigo nosso nos mostrou um livro chamado “Assombrações do Recife Velho”, de Gilberto Freyre, que contava histórias de assombrações e fantasmas. E são histórias antigas porque o livro foi publicado no século passado na década de 50, mas ele levantava histórias do fim do século XIX, começo do sec. XX. Gilberto Freyre, autor de Casa Grande e Senzala, chegou a trabalhar num jornal nos anos 20 e recolheu essas histórias. No final dos anos 80 esse livro estava fora de catálogo (hoje em dia ele voltou a ser publicado). Quando vimos, ficamos muito interessados pois todos gostávamos dessas histórias, já tinha essa coisa de família, avó, tio, tia contar isso. Faltava muita energia elétrica. Quando apagava as luzes de casa a gente acendia velas, isso sempre era motivo para contar histórias. Eu lembro também que tinha nos anos 80 um quadro do Fantástico na Globo com dramatização de histórias contadas na rádio nos anos 50, 60, que a gente assistia. Já tinha tudo isso! Aí quando a gente descobriu esse livro, ele meio que aumentou nossa curiosidade. Começamos a ir nas ruas às quais o livro fazia menção e pesquisar no arquivo público também. Começamos a descobrir lendas. Tem uma que é particularmente bizarra que é da Perna Cabeluda, eu escrevi uma história-em-quadrinhos a respeito dela. Ela não entrou no livro do Gilberto Freyre, que como eu falei antes é dos anos 50. Mas a Perna Cabeluda a gente pesquisou nos jornais dos anos 70, indo no arquivo público levantar as histórias. Há mais ou menos cinco anos eu escrevi o roteiro de história-em-quadrinhos que foi publicada pela editora Bagaço aqui de Pernambuco, chamada “A Rasteira da Perna Cabeluda”, resgatando essa lenda.

    ACAM. Como vocês fazem para verificar se os casos que vocês compartilham são autênticos? Tem alguma comprovação encontrada? Você já esteve em algum desses locais, o que viu lá?

     Beto.

    A maioria dos locais que a gente cita no site são locais históricos do Recife. Eu já estive em todos, tive oportunidade de ficar um tempo lá, conversar com as pessoas e saber sobre os relatos. Eu não me sinto qualificado para averiguar se aqueles são verdadeiros ou não. De certa forma não tenho muita preocupação com isso, minha preocupação é catalogar e registrar os relatos. Não tenho a pretensão de averiguar se aquilo é verdade ou não, se é um fenômeno positivo mesmo, ou uma coisa que venha da imaginação. Porque meu interesse é justamente o imaginário, e não o concreto, embora eu tenha muito respeito por esse aspecto. Eu pessoalmente nunca senti ou tive provas materiais do paranormal. Mas eu sei que alguns lugares que eu visitei, sempre, isso é uma coisa concreta: tem lugares que você sente uma energia diferente. Por exemplo a Cruz do Patrão, é o monumento mais antigo do Recife, e fica na beira de um rio próximo ao mar. É realmente carregado de energias muito estranhas que mexem com qualquer pessoa. Inclusive já fiz a experiência de levar pessoas lá sem contar tanto a história do lugar, que é um lugar de difícil acesso. Essas pessoas relatarem experiências subjetivas de sensações estranhas, uma certa perturbação. Seriam pra mim as evidências mais concretas.

    André.

     Eu não considero meu trabalho como sendo o de um caçador de fantasmas. A pesquisa que a gente faz é das histórias, das lendas. Não é comum a gente ir com algum equipamento pra detectar algum tipo de energia, ou de fazer uma averiguação para ver se foi verdade ou não. A gente parte do pressuposto que se alguém conta, tem um fundo de verdade. A gente vê pelo lado cultural. E digo mais, hoje minha preocupação é muito mais criar conteúdos, criar histórias, criar ficção em cima desses relatos. Preservar de certa forma essas lendas através de novas histórias. E até incentivar escritores, quadrinistas, pessoas que produzam ficção baseadas nelas. Muitas vezes escrevem pra gente, contando e a gente publica no site. Então não me considero um caça fantasmas, porém tem um bairro residencial aqui que tinha um lugar chamado Sítio do Moco. Eu fui uma vez com um grupo de amigos visitar esse lugar, e era um lugar que tinha muito, como dizer? Um descampado, um lugar muito estranho. Diziam que tinha sido assassinado um surdo-mudo e por isso que o nome era Sítio do Moco, e que se ouvia ainda o gemido dele, uma coisa mórbida de um certo humor negro, o fantasma ficava repetindo esse gemido. A gente foi lá, eu com alguns amigos. E a gente ouviu barulhos estranhos, uma coruja enorme voou por cima da gente. Assim, veio voando, e foi bem esquisito, bem estranho. Mas a gente não viu nada, nem o Moco ou nenhum outro fantasma.

    ACAM. Vocês tem algum áudio, fotografia ou vídeo de um fenômeno?

    Beto.

    Eu tenho um contato muito estreito com o Instituto Pernambucano de Pesquisas Parabiofísicas, que são os parapsicólogos aqui. Tenho contato principalmente com o professor chamado Valter da Rosa Borges, que é o fundador do instituto. Ele escreveu um livro muito interessante, “A Fenomenologia das Aparições”. Atualmente tem um grupo de pesquisadores muito jovens que estão fazendo esse trabalho de ir aos locais supostamente assombrados e fazer pesquisas de caráter científico. Esse pessoal fez uma pesquisa durante uma noite toda num lugar chamado Forte das Cinco Pontas. Hoje em dia ali é um museu. É um lugar muito carregado de histórias porque foi uma das primeiras construções militares do Recife e nele aconteceram várias tragédias, tanto é que a construção foi destruída pelos portugueses e refeita pelos holandeses. Esses pesquisadores encontraram evidência de fenômenos paranormais, inclusive registraram em vídeo coisas estranhas, fenômenos estranhos e vozes muito claras, eu cheguei a escutar e são muito claras. Justamente num ponto que eles classificaram como zona de intensa atividade, seria um túnel de fuga, onde eles encontraram uma presença muito forte de coisas paranormais inexplicáveis. Gosto de conhecer e ouvir esses pesquisadores. Acredito que essas pesquisas vão continuar e eles vão constatar muitas coisas. Porque tem lugares como o teatro de Santa Isabel, onde os funcionários relatam várias aparições, vários fenômenos estranhos, como pianos que tocam sozinhos. Visões nas dependências do teatro. Os relatos que eu colhi lá são muito vívidos, você vê que as pessoas encaram aquilo com muita seriedade. Acredito que uma pesquisa mais forte, mais intensa e científica, vai constatar que realmente aqueles locais são de fato assombrados, como o imaginário popular relata.

    Um caso estranho que me chamou a atenção foi um grande amigo meu que é artista plástico, mora na parte central da cidade, na parte antiga, num bairro chamado Boa Vista. Ele dorme durante o dia e pinta, faz quadros a noite. Ele contou que estava pintando e viu a aparição de uma senhora idosa na cozinha da sala dele. Outros membros da família haviam relatado que tinham visto essa pessoa lá. Ele também é fotógrafo, e tirou foto da aparição discretamente com a câmera dele. E essa foto mostra um borrão, não mostra evidente uma figura de uma pessoa. Mas mostra um borrão, é uma coisa bem estranha. Ele às vezes prefere manter essa foto em segredo, prefere não divulgar, pois as pessoas têm medo do julgamento que é feito daqueles fenômenos.

    ACAM. Vocês conhecem casos de assombrações famosas, vistas por muita gente? Que várias pessoas relataram?

    Beto.

    Surgiu a história da aparição de uma mulher no cemitério que fica no bairro Santo Amaro. Sedutora, bela, bonita. E várias pessoas relataram que ela andaria pelas ruas nas imediações. Inclusive apareceria dentro da garagem de ônibus, que existia e funcionava em frente a esse cemitério. Ela atormentava os cobradores e os motoristas, à noite ela aparecia lá. Alguns diziam que essa mulher tinha um encanto que era capaz de atrair os homens para dentro do cemitério, e mostrar para eles supostamente o jazigo onde ela morava. Essa é a parte onde o imaginário atua, que é quando uma história que tem algum sentido estranho, uma aparição que ninguém sabe explicar muito bem. A partir dessa aparição, essa é minha tese, começa a se criar outras narrativas em torno daquilo. Esse caso chama-se a Galega de Santo Amaro. Acho que pela quantidade de relatos que se fala dela, são tantos, que eu acho que realmente tem algum sentido, a aparição deve ter sido testemunhada por várias pessoas. Isso é intuição minha e não tenho evidência disso. Não acredito que ela tenha levado as pessoas para dentro do cemitério para mostrar onde é o jazigo, daí já um desdobramento do imaginário a partir de fenômenos possíveis.

    São curiosos os elementais, espíritos dos elementos, das matas. Aqui no Recife e imediações, no interior, se traduz muito essa história através de um personagem que se chama Cumadre Fulozinha. Que é um elemental, um espírito da floresta. Aí se confundem crenças religiosas, heranças de todo tipo de cultura que se misturou no Brasil, Pernambuco em particular – os índios, alguma coisa da religiosidade popular em deixar uma oferenda para ela, e tem relação principalmente com a Jurema que é um tipo de religião um pouco afro e um pouco indígena. Sobre essa Cumadre Fulozinha já conversei com várias pessoas, e muitas foram muito positivas em contar que tiveram contato com a assombração e que ela, em certos momentos, agiu fisicamente. Ou seja, ela dava nas pessoas com cipó. Que ela provocava confusão mental nas pessoas que se aventuravam na mata. Parece uma coisa muito folclórica, mas que pras pessoas é muito concreto, muito real o efeito que ela causa. Inclusive de pessoas que são de uma boa formação, que não podem ser chamadas de ignorantes. Já ouvi uma professora de biologia que estava com os alunos dentro da mata, e por alguns instantes um deles desafiou por brincadeira a entidade. E a partir disso eles se perderam na mata e não conseguiram sair até que pediram perdão à entidade. Isso é uma professora de biologia, formada em universidade com mestrado, contando pra mim com toda certeza que era um acontecimento real. São casos interessantes do ponto de vista de estudo do sobrenatural.

    André.

    Sim, há vários casos. Casos de lobisomem há vários. Lembro de um no bairro de Prazeres, que várias pessoas disseram ter visto o lobisomem. Tem a velhinha da Caxangá, uma avenida bem conhecida no Recife. É o fantasma de uma velhinha que sobe no ônibus e desaparece no meio do percurso. Algumas pessoas disseram já ter visto essa velhinha, por volta de meia-noite. Também teve um caso no Poço da Panela que tem a estátua de um escravo e tem umas correntes penduradas, e alguns moradores falam que ouvem o arrastar de correntes na madrugada, como se a estátua saísse andando sozinha. Recife tem muitas histórias. Tem o lobisomem do Sítio dos Pintos. Tem o Açude de Prata, com o fantasma de Branca Dias. Tem o Encanta Moça, da loira encantada. Tem a loira do cemitério, que em quase toda cidade sempre tem uma história dessas de cemitério.

    ACAM. Como vocês lidam com as mudanças que podem haver quando se contam os relatos? Algumas pessoas aumentam ou modificam partes da história, como fazem para obter o fato original a partir disso?

    Beto.

    Minha pesquisa está preocupada com a narrativa, as pessoas contam as histórias. E para fazer com que as pessoas contem eu tenho uma técnica: nunca me apresentar como pesquisador, ou jornalista que está interessado em registrar aquela história. Eu sempre converso, chego no ambiente onde aquela coisa tá sendo falada, no bairro, e converso com as pessoas normalmente. Entre um e outro assunto eu começo a comentar. Conto uma história também, me disseram que aqui tem um caso, que nessa casa aconteceu assim assim assado. E a partir do momento que há conversa, então as pessoas começam a relatar os casos. Isso tem um efeito surpreendente, porque quando você se apresenta à testemunha como um pesquisador que quer extrair aquilo da pessoa, desaparece toda espontaneidade. Porque a pessoa cria barreiras em torno dela para não responder. Existe um medo de ser levado ao ridículo, de ser tomado como uma pessoa maluca, ou ignorante. Então eu levo a coisa quase no limiar da brincadeira. Às vezes as pessoas se entregam, contam histórias bem vívidas e até relatam o medo, o pavor que elas passaram naquela situação. Mas todo esse tempo eu nunca tive a preocupação de contar um fato concreto, ou mesmo de vivenciar aquela situação. A pessoa me disse que a casa é assombrada, mas eu nunca me propus a dormir ou passar a noite naquela casa para saber se aquilo é verdade ou não. Acho que não sou qualificado para isso. Sou totalmente a favor de pesquisas que aprofundem isso, esse é o trabalho dos parapsicólogos. Mas estou muito preocupado com a narrativa, acredito que a narrativa em si é um patrimônio cultural. Tenha ela um fundo concreto ou não, ela merece ser contada, repetida, pois ela revela muito da própria história da sociedade, das pessoas, daquele bairro, daquela comunidade. A coisa mais engraçada que eu vi foi quando pesquisei em 2004 uma suposta aparição de lobisomem num bairro chamado Santa Luzia. Um bairro violento, dominado pelo tráfico de drogas. Começaram a contar que tinha um lobisomem lá, que ficava correndo atrás das pessoas. Os moradores ficaram tão empolgados que chegaram a mostrar pra mim uma suposta pegada de um lobisomem (que provavelmente não era, era de um cachorro mesmo). Dentro do meu trabalho, eu sempre coloco a história, geralmente não nomeio a testemunha. Às vezes a testemunha se coloca, pois também se você mandar ao meu site um relato sobrenatural eu publico. Se ele tiver alguma consistência, alguma coerência, eu ajeito o texto lá e coloco. Porque as pessoas estão compartilhando experiências ali. Mas nunca me preocupei com isso de verificar se é verdade ou não, deixo para que o leitor tire suas próprias conclusões.

    André.

    Isso é fato, a gente sabe que normalmente as histórias são aumentadas. As lendas surgem disso, de um fato muitas vezes isolado, que é contado para outra pessoa, para outra, outra pessoa vê e ouve falar, e vai crescendo. Eu lembro do caso do fogo fátuo, que é aquela combustão espontânea que acontece em corpos em decomposição e acaba virando fantasma. As pessoas veem a bola de fogo ou um clarão e dizem que tem um fantasma ali. No nosso caso do Recife Assombrado, a gente se interessa pela lenda mesmo. Não é o foco desvendar se aquilo teve uma coisa sobrenatural, ou se foi um fato físico que originou. Nos interessa a lenda, como é contada, como muda de lugar para lugar, como essas lendas sofrem essa mudança. E trabalhar em cima disso, criar histórias em cima dessas lendas. A gente entende que é inevitável, mas que isso não é necessariamente ruim. Como é tratada a lenda, passada de geração a geração, de lugar a lugar, isso a gente vê como uma coisa positiva.

    ACAM. A Associação de Caçadores de Assombrações e Monstros de Minas Gerais parabeniza o Recife Assombrado pela iniciativa. Agradecemos por esta entrevista, tão enriquecedora para nossos estudos.

    Beto.

    Antes de me despedir, queria contar um caso que se passou na minha casa. Eu era criança e vivi num bairro chamado Tamarineira, na Zona Norte do Recife. Sou filho único, morava eu, meu pai, minha mãe, e tinha empregada doméstica. Sempre diziam, amigos, família, que meu pai era médium. Diziam que tinha uma capacidade mediúnica, uma sensibilidade diferente. E ele não acreditava nisso, não se ligava e nunca desenvolveu isso de uma forma doutrinária. Ele era um cara meio cético, pois era professor universitário. Mas num certo momento, isso era década de 80, ele começou a ver uma aparição dentro da casa. Que era uma senhora, ele descrevia como uma pessoa de uns 40 e poucos anos com uma roupa muito antiga. Se apresentava com uma roupa fora de moda, com cabelos amarrados, morena. Ele descrevia com muita precisão. No começo ele se assustava, depois ele começou a não se assustar mais, porque ele começou a se acostumar, e dizia isso pra gente. Eu nunca vi nada, nunca vi essa aparição. Minha mãe também não via. Ela não levava muito a sério, meio que brincava com papai, isso aí é que você chega do trabalho muito cansado… Não acreditava, e até não gostava, era uma católica muito fervorosa. E um certo dia, ao meio dia, ela tava varrendo a sala e viu a mesmíssima aparição dentro da nossa casa. Ela descreveu exatamente a pessoa com as mesmas vestimentas, viu o rosto. Ela ficou assustadíssima, ficou em pânico, muito apavorada, porque ela não acreditava naquilo. Depois que ela relatou isso, meu pai meio que se deu por satisfeito. E a empregada doméstica chegou para ela e falou – Dona Ana, eu nunca disse isso para não lhe assustar, mas eu vi essa mulher aqui também. E eu fui o único que não vi, eu morei por vários anos, e nunca vi essa assombração na minha casa. Aí eu lembrei de minha conversa com o parapsicólogo Valter da Rosa Borges, que é um senhorzinho muito esperto, de uma cabeça muito boa, de intelectualidade aguçada, conhecedor de filosofia e de vários campos da ciência. Ele disse, Roberto o que acontece é o seguinte: nós somos amigos dos fantasmas e os fantasmas não são nossos amigos. Com isso quero dizer: às vezes quem pesquisa e procura, é justamente quem não é escolhido para testemunhar a aparição, os fenômenos sobrenaturais. Isso é frustrante né? E com isso eu me despeço. Grande abraço.

Imagens relacionadas