ACAM MG
ACAM MG
  • MONSTROLOGIA Modulo I Astronomia para Iniciantes

    | Cliques: 1803 MONSTROLOGIA   Modulo I  Astronomia para Iniciantes

     

     

    Astronomia para Iniciantes

     

    CONSTELAÇÕES E RECONHECIMENTO DO CÉU

    Todo esse estudo não será nenhum sacrifício se você realmente amar Astronomia. Afinal, "só quem ama é capaz de ouvir e entender as estrelas" (Olavo Bilac)

     

    1º Passo: Olho Nu

    O primeiro passo para adentrar no universo astronômico é observar o céu a olho nu. Pode parecer bobagem, mas, ao fazer isso, identificamos muitas coisas, mesmo nas cidades, onde há poluição luminosa.

    Observar o céu é o mesmo que estudar o mapa de uma cidade nova. As estrelas, constelações, planetas, nebulosas equivalem a estradas, ruas, praças, avenidas... Conforme você vai adaptando seus olhos ao céu com observações constantes, logo terá conhecimento o suficiente para aprimorá-las. Só a prática leva a perfeição e, para ajudá-los nesse primeiro passo de observação a olho nu, podemos contar com alguns softwares que mostram o céu como ele está em determinada hora e lugar. O mais usado é o Cartes du Ciel, ele é gratuito e em português, porém recomendo aos iniciantes o Stellarium, que é simples e tem um visual muito bonito. Outro auxílio muito bom são os planisférios, espécies de mapa giratório que mostra o céu em determinado local.

    Assim, munidos apenas com mapas do céu e olhos nus, os iniciantes possuem uma boa base e estão prontos para dar o próximo passo...

     

    2º Passo: Binóculo

    Portátil, fácil de usar e barato, esse instrumento possui um grande campo de visão (o que permite visualizar melhor os objetos) e nos dá a visão correta do céu, diferente dos telescópios que exigem maior conhecimento, pois se você não apontá-los para a coordenada exata não verá absolutamente nada e a maioria dos telescópios mostra as imagens de forma espelhada ou de cabeça para baixo, o que pode confundir você, caro iniciante.

    Então, adie a compra do telescópio e adquira um binóculo, ele será um grande companheiro de toda a sua vida astronômica, mesmo depois de manjar o uso do telescópio. O modelo ideal para iniciantes é o 7x50, que oferece imagens bem nítidas e permite ver uma grande quantidade de objetos celestes, e, novo, custa de R$ 150,00 a R$ 200,00.

    Ainda utilizando os mapas do céu (planisférios e softwares) e o conhecimento que você adquiriu com os mesmos durante as observações a olho nu, e tomando por referência uma constelação conhecida (o Cruzeiro do Sul, por exemplo) podemos viajar para as constelações próximas e, assim, pulando de estrela em estrela, vamos descobrindo o céu. Para saber o que mais é possível observar com um binóculo,

     

    Antes de avançarmos, você, iniciante, deve se perguntar:

    - Já tenho um conhecimento razoável do céu para saber para onde apontar o telescópio?

    - Sei identificar os 5 planetas visíveis a olho nu sem auxílio de mapa?

    - Conheço as principais constelações e suas estrelas principais?

    - Sei localizar as principais nebulosas, aglomerados globulares, aglomerados abertos e galáxias (ou antes, sei o que significa cada uma destas classificações) também sem auxílio de mapa?

    Só aconselho dar o próximo passo aquele que respondeu SIM à todas as perguntas. Caso você tenha acertado algumas, está totalmente liberado para usar o binóculo, mas o telescópio... ainda não.

    Por quê?

    Porque se você comprar um telescópio sem ter esses conhecimentos básicos, ele ficará encostado num canto, você não saberá como usar, para onde apontar, perderá o interessa e desistirá.

    Então, estude bastante e, quando conseguir responder SIM à todas as perguntas, prossiga (:

     

    3º Passo: Telescópio

    Agora que você possui os conhecimentos básicos acerca do firmamento, está na hora de comprar seu primeiro telescópio. Para onde apontá-lo? A Lua é a candidata mais óbvia, mas não se prenda à ela. Existe um universo inteiro para observar.

    O modelo mais indicado é um refletor (que usa um espelho no lugar da lente objetiva) com uma abertura de aproximadamente 120mm e distância focal entre 750 e 900mm. O preço varia entre R$ 1.000,00 e R$ 1.500,00.

    Este instrumento aumenta consideravelmente as possibilidades de observação. Com ele, podemos focalizar os anéis de Saturno, as crateras e montanhas da Lua, estrelas múltiplas (que a olho nu parece uma, mas são duas, bem próximas), enfim...

     

    4º Passo: Ao infinito e além!

    Depois de seguir todos esses passos, você já está apto para fazer observações com mais autonomia e quem sabe, até realizar uma descoberta.

    Muitos astrônomos amadores se aventuram então na astrofotografia, atividade que requer muito, muito estudo. Mas, se você chegou até aqui, pode ir além, não é?!

     

    Fontes (com modificações!)

    Uol Notícias

    Zeca Astrônomos

    Site Wanderley Junior

    Como é a vida de um Astrônomo

    "Noites e noites em claro, passadas na companhia de poderosos telescópios que apontam a imensidão do céu, num silêncio apenas quebrado pelo barulho do vento e o tritilar dos grilos. Essa é a visão mais tradicional do astrônomo, esse profissional da ciência tantas vezes confundido com adivinhos. Mas, por incrível que pareça, é uma visão bem distante do dia-a-dia dessa profissão. A Astronomia é diferente da maioria das outras ciências em que podemos interagir diretamente com o objeto de estudo. Afinal, não é possível dissecar, pesar, tocar ou realizar outros experimentos similares com uma estrela! Por outro lado, a luz que os corpos celestes emitem carregam informações que podem ser compreendidas pelo astrônomo. Seu trabalho consiste, resumidamente, de uma sistemática em que é preciso saber formular questões, pesquisar e obter dados relevantes, levantar hipóteses e então testá-las."

    Com certeza, a vida de um astrônomo não é fácil!

    Primeiro, pra ser um astrônomo tem que estudar muito, pra se formar demora bastante! Bacharelado: 4-5 anos, pós-graduação; mestrado: 2-3 anos, doutorado: 4-5 anos. Desde o ingresso no vestibular deve demorar uns 10 anos para se tornar doutor em astronomia. Mas a boa notícia é que já começamos a ganhar bolsa de estudos ainda no bacharelado (bolsa de iniciação científica). Nenhum estudante que eu conheça faz ou fez pós-graduação sem bolsa de estudos. A bolsa não é alta mas dá para viver. Tudo isto é válido para estudar no exterior também. Alguns países não exigem o título de mestrado antes de cursar o doutorado. Mas no Brasil é regra geral fazer mestrado. Existem alguns casos de alunos de doutorado sem título de mestrado, mas são casos especiais.

    Segundo: Tem que ser muito dedicado, amar Astronomia mais que tudo pra aguentar tudo o que vier, noites mal dormidas, vários dias observando 'tal' ponto determinado, aquele tema.

     

    Constelações

    O que são constelações: As constelações são agrupamentos de estrelas que formam desenhos de pessoas, animais ou objetos. As estrelas, embora distantes umas das outras, ao homem parecem estar juntas, formando várias figuras. As constelações nos ajudam a separar o céu em porções menores, sendo 88 delas oficiais pela União Astronômia Internacional.

    Pra que servem as constelações: Na antiguidade, as constelações serviam para ajudar a saber as estações do ano, exemplo: a constelação do Escorpião é típica do inverno do hemisfério sul, já que em junho ela é visível a noite toda. Já Órion é visível a noite toda em dezembro e, portanto, típica do verão do hemisfério sul. Assim, também ajudavam os agricultores a saber a hora de plantar e colher.

     

     

     

    Zodíaco: As constelações que formam o Zodíaco (círculo dos animais, ou caminho, do sânscrito sodi), uma faixa de 18 graus em volta da eclíptica, definida por Aristóteles, podem ser relacionadas pelo mnemônico ArTaGeCa LeViLiSco SaCAquaPi, pois são: Aries, Taurus, Gemini, Cancer, Leo, Virgo, Libra, Scorpius, Sagittarius, Capricornus, Aquarius e Pisces:

     

     

    Principais constelações:

    Constelação de Órion: Uma constelação fácil de enxergar é Órion. Para identificá-la devemos localizar 3 estrelas próximas entre si, de mesmo brilho, e alinhadas. Elas são chamadas Três Marias, e formam o cinturão da constelação de Órion, o caçador. Seus nomes são Mintaka, Alnilan e Alnitaka. A constelação tem a forma de um quadrilátero com as Três Marias no centro. O vértice nordeste do quadrilátero é formado pela estrela avermelhada Betelgeuse, que marca o ombro direito do caçador. O vértice sudoeste do quadrilátero é formado pela estrela azulada Rigel, que marca o pé esquerdo de Órion. Estas são as estrelas mais brilhantes da constelação. No hemisfério Sul Órion aparece de ponta cabeça. Segundo a lenda, Órion estava acompanhado de dois cães de caça, representadas pelas constelações do Cão Maior e do Cão Menor. A estrela mais brilhante do Cão Maior, Siriús, é também a estrela mais brilhante do céu, e é facilmente identificável a sudeste das Três Marias. Procyon é a estrela mais brilhante do Cão Menor, e aparece a leste das Três Marias. Betelgeuse, siriús e Procyon formam um grande triângulo.

     

    Constelação do Cruzeiro do Sul: Além de ser muito importante como ponto de referência celeste para a Navegação Astronômica, o Cruzeiro do Sul possui duas estrelas que se encontram entre as mais brilhantes de todo o firmamento. A mais brilhante delas, alfa-Crucis, também chamada de Acrux, Magalhãnica ou Estrela de Magalhães, representa a parte de baixo do braço maior da cruz e é a mais próxima do Pólo Celeste Sul. A segunda em brilho é beta-Crucis, também chamada Becrux e Mimosa, e representa um dos lados do braço menor da cruz. A parte de cima do braço maior da cruz é representada por gama-Crucis, também chamada Gacrux, uma estrela de cor ligeiramente avermelhada e que, por isso, recebe também o nome de Rubídea. O outro lado do braço menor da cruz é representado por delta-Crucis, uma estrela bem menos brilhante e que, por isso, recebe também o nome de Pálida. Há, ainda, no Cruzeiro, além dessas 4 estrelas, uma quinta estrelinha, épsilon-Crucis, menos brilhante que a Pálida. Por não pertencer nem ao braço maior e nem ao braço menor da cruz, ela é carinhosamente chamada pelos brasileiros de "Intrometida". Na verdade, a Intrometida mais ajuda do que atrapalha, pois facilita a localização do Cruzeiro no céu. Bem próximas a constelação do Cruzeiro do Sul encontram-se, na constelação do Centauro, duas estrelas de forte brilho, conhecidas como os Guardas da Cruz. A mais brilhante delas, alfa-Centauri — também chamada de Riguel Kentaurus ou Toliman — é a estrela mais próxima da Terra (depois do Sol, é claro).

     

     

     

    Constelação de Escorpião: A constelação de Escorpião está despontando a Leste e por volta de meia-noite ela já é visível ligeiramente a sudeste. Ela mede quase dois palmos de uma mão aberta com braço esticado. E é um "S" quase perfeito representando um formato básico de escorpião. A constelação de Escorpião irá dominar o céu noturno do nosso outono e inverno e só desaparecerá, a oeste, no início da primavera.

     

    Quando Escorpião estiver se pondo a oeste, Orion, o caçador estará novamente aparecendo a leste. E as duas constelações descrevem esta eterna perseguição sem fim, por isto são consideradas inimigas mitológicas. A estrela alfa de Escorpião, Antares, de cor alaranjada, é uma das maiores do céu. Shaula fica no outro extremo do escorpião.

     

     

    Reconhecimento do céu:

    Nós, moradores das metrópoles, ao observar o céu estrelado temos a impressão de um caos de pontos luminosos sem ordem alguma. Observadores mais atentos que vivem em mais contato com a natureza percebem certas regularidades e padrões. Olhando noite após noite constatamos que as estrelas não mudam de posição umas em relação as outras. Por isso falamos num movimento diurno que envolve toda a Esfera Celeste, é deste fato que surge a necessidade de se criar constelações. Chamamos constelação

     

    Agrupamentos de Estrelas

    um agrupamento de estrelas que aos nossos olhos sugere certos alinhamentos e desenhos arbitrários. Há mais de 3000 anos que os homens têm utilizado de figuras imaginárias para lembrar-se das posições aparentes das estrelas. O conceito de constelação foi sendo alterado com o passar dos tempos. Houve época em que os desenhos em cartas celestes eram mais marcantes do que as estrelas que os sugeriam. Assim podemos falar de uma representação pictórica da constelação. Depois passou-se a usar alinhamentos mais ou menos arbitrários unindo estrelas brilhantes.

    Era uma representação esquemática. Hoje usa-se regiões da esfera celeste delimitadas por trechos de "paralelos" e "meridianos" celestes (equivalentes aos usados nos mapas geográficos, utilizando coordenadas celestes ao invés de latitude e longitude). Todo o céu foi dividido pela IAU (Internacional Astronomical Union) em 88 regiões. Trata-se de uma representação por área do céu. Logo qualquer astro do qual se saiba as coordenadas pode ser classificado numa constelação específica. Como numa concha de retalhos cada região se encaixa na seguinte sem deixar nenhuma estrela de fora. Nesta divisão procurou-se manter, sempre que possível, uma relação com as constelações já consagradas pelos séculos de observação do céu. Outro recurso que nos auxilia na memorização das posições das estrelas são os alinhamentos e asterismos: Alinhamento é uma certa forma de relacionar estrelas brilhantes através de retas imaginárias que as unem. Costuma-se fazer isto com estrelas afastadas e especialmente brilhantes (geralmente entre constelações distintas).

     

    Também usamos medidas com a mão

    Para identificar constelações

    Exemplo de alinhamento é o Grande Triângulo do Norte que contém em seus vértices três estrelas brilhantes visíveis no horizonte nordeste no início da noite em agosto. As estrelas que compõem o Grande Triângulo são: Vega (Alfa da Lira), Altair (Alfa da águia) e Deneb (Alfa do Cisne). Asterismo é qualquer grupo peculiar de estrelas que não seja uma das 88 constelações determinadas pela União Astronômica Internacional. Os asterismos mais notáveis são os dois Aglomerados Estelares abertos que estão próximos de nós e que brilham na constelação de Touro. São eles as Plêiades e as Híades. Outros tipos de asterismos constituem-se de desenhos diferentes dos geralmente aceitos como clássicos. É comum por exemplo, chamar de Chaleira o grupo de sete estrelas mais brilhantes da constelação do Sagitário. Outro asterismos famoso é a Falsa Cruz (ou Falso Cruzeiro) na constelação da Carina.

    O segredo é estudar muito, muito mesmo. Alguns livros sempre são referências, como Rumo às Estrelas: Guia Prático para Obervação do Céu, de Alberto Delerue; Manual do Astrônomo: uma Introdução à Astronomia Observacional, de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (que podem ser encontrados com facilidade e com bons preços) e também os clássicos de Carl Sagan (que podem ser encontrados em bibliotecas públicas e escolares).

     

    Próximo Modulo Astrobiologia , Aguardem