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  • Ruína da Serrinha: Fortaleza de dois andares no mato

    | Cliques: 474 Ruína da Serrinha: Fortaleza de dois andares no mato

    Para assistir o video da visita a ruína clique aqui : https://youtu.be/nX9VcFw5Iio

     

    Dia 06 de junho equipe de campo de ACAM Associação de Caçadores de Assombrações e Monstros visitaram ruína da Serrinha, localizada entre a Serrinha e a Curva da Ferradura, início do Sibrão.

    Participaram da expedição Rogério Duarte, Isaac Rangel Eduardo Campos, Leandro Henrique dos Santos e Daniel Morelli dos Santos.

    O local um pouco retirado da estrado da estrada cerca de 1 Km mata a dentro é muito bonito. Eduardo Campos classificou como comtenporâneo das construção do Morro Santo Antônio em Passagem e Morro Santana no Gogo em Mariana. Ele afirmou após analisar a técnica construtiva, de pedra e barro com estrume de boi.  Também há trabalhos de pedra em cantaria, onde a pedra é escavada, o que pode ser visto em portas e janelas.

    Segundo Eduardo o local era como uma fortaleza, com paredes com mais de um metro de largura e com dois andares ! Por isso a ruína está em boas condições.

    Para Isaac Rangel essa ruína deve ser preservada pois revela parte de nossa história e é muito importante reconhecer esses monumentos.

    Leandro Henrique dos Santos afirma que o local não era um quilombo como já foi sugerido pois é uma construção de dois andares, com trabalhos em arte de cantaria, o que demandaria muito tempo e recursos o que não condiz com as ocupações em um quilombo.

    Muitos moradores da Vargem mencionam a existência de um quilombo na região, local onde escravos fugidos iriam se refugiar. O quilombo de fato existiu mas não nesse local que servia como uma fortaleza.

    Com dois andares, e janelas de vigia, a ruína está hoje no meio da floresta, mas ali era o caminho para o distrito da Vargem, onde também houve mineração de ouro. Ao abrir estrada para carros esse caminho é utilizado apenas por quem está a cavalo ou de bicicleta. Alias toda a trilha que leva a ruína é bem cuidada pelos ciclistas de Mariana que utilizam o local como esportes, e se não fossem eles o local não seria redescoberto.

    VARGEM: A ruína fica no caminho do sub-distrito de Vargem do Itacolomi que pertence ao distrito Passagem de Mariana, e a paróquia de Nossa Senhora da Glória.  A viagem de Passagem a Vargem à cavalo leva em torno de dez horas, pelo menos esse foi o tempo que eu gastava, até o Pombal, local conhecido como "Serra dos Pretos" com distância de 36 kilômetros. Lá existe uma comunidade negra que não possui documentos das terras que habita. Famílias do Sr. Agostinho e Tereza, Sr. Alfredo ( falecido), Sr. Camilo, Sr. Oscar e Geci e parentes. Eles falam que as terras é do "bolo", ou seja de todos. Do outro lado da Serra dos Pretos temos a chamada "Serra dos Brancos", ambas são consideradas como localidade de Pombal.

    Os 36 Km de estrada corta o Sibrão, de mata fechada, onde vivem onças, preta e pintada, macacos, tatus, muitos coelhos. A noite facilmente se encontra na estrada coelhos e onça preta. Encontro com as onças pintadas são mais frequentes na região da ponte do Sibrão e Itabirocó, até o Palmital, no início da Vargem depois do Morro de Maria Paraguaia. Nesse morro tem-se uma linda vista do Itacolomi e da região do Sibrão.

    Cláudio Manoel da Costa é da Vargem, na pia batismal da Igreja está gravado em pedra no chão seu nome e data de seu batismo. Ele foi juiz, poeta, e um dos principais líderes da Inconfidência Mineira e seus parentes tinham fazendas e exploravam ouro e gado na Vargem. Cláudio Manoel foi assassinado na prisão na Casa dos Contos em Ouro Preto, forjando um suícidio. Seus parentes na Vargem foram também atacados e mortos como queima de arquivo na época supostamente para não envolveram outras pessoas na Inconfidência. 

    Essa ruína na Serrinha pode ser um local por onde quem transportava o ouro da Vargem usava para descansar e dormir, e também para vigiar o acesso por isso tanta robustez na sua construção. Pode ter até sido usado por Cláudio Manuel da Costa ! 

    De acordo com descendentes dos primeiros moradores da Vargem como família de Sr. Zezin, contam relatos de quilombo habitando o Sibrão, viviam escondidos, e os tropeiros sempre deixavam um burro com alguma alimentos para tráz para eles, e assim não eram atacados.

    A estrada de terra até a ruína está em excelentes condições, e a trilha tem manutenção dos ciclistas, que de certa forma preservam o local que faz parte de seu circuito Cabanas x Serrinha. 

    Sr. Rogério Duarte visitou o local e se disse impressionado com a bela natureza, exuberante e com a imponência da construção de dois andares naquele local, que na sua opinião deveria ser tombado com patrimonio histórico e cultural de Mariana, ainda mais por revelar a história de Claudio Manoel da Costa.

    A Equipe da ACAM usou máscaras e medidas de distânciamento social.

    Advertência: na região visitada existe um tipo de formiga vermelha, com ferrão grande, que sua pícada arde e incha o local por mais de hora ! Pode dar até febre.

     

     

     

     

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